Minhas Histórias


 
 

Cotidiano

Amanhece um dia de primavera, muito calor, típico desta região, numa pacata e pequena cidade do interior, rodeada pelo canavial e pelas poucas e ralas pastagens.

Com o nascer do Sol, desperta uma linda menina de cabelos loiros como se fossem fios sintéticos, com olhos verdes como retoque de photoshop, ainda embriagada pelo sono. No auge de seus quase 1 ano e meio,  e dentro de seu singelo e pequeno vocabulário, na cabeceira de seu berço grita: - Papaiii!

Com isso, acorda sua irmã mais velha, uma menina bela e encantadora, de cabelos cacheados, todo embaraçado e desarrumado pela bela noite de sono, com seu já disposto sorriso, que lhe é característicos, também fala: - Papai!

Com isso o pai zeloso e apaixonado, que já sente o aroma do café no ar, responde: - Bom dia minhas princesas.

O sorriso e a alegria transborda em ambas as garotas, ao ver o pai, encantado com tamanha graça e delicadeza de suas filhas lhe desejando um bom dia, de primavera, com muito calor, típico desta região, numa pacata e pequena cidade do interior, rodeada pelo canavial e pelas poucas  e ralas pastagens, onde mora o coração deste pai.

Assim começa o meu cotidiano!



Escrito por netoguido às 11h55
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História que vivi, pessoas que amo! (part. 2)

 

Quero fazer jus a um grande amigo que tenho e me ajudou muito quando precisei, o Jefferson Rueda, mas para mim, Jeffinho, Jeff, cabeçudo ou Bochecha, o duro de ser um cara figura é que ganhamos muitos apelidos pela vida.

 Conheço o Jeffinho desde a infância. Ele é filho de um grande amigo do meu pai, o Zé Rueda, que durante muitos anos trabalharam juntos na Nestlé de Rio Pardo. Com isso nossas famílias se interagiram, criando uma fraternidade daquelas para momentos bons e momentos difíceis.

Crescemos juntos, temos muitas histórias e aventuras que passamos juntos que daria um livro de 300 páginas, mas alguns fatos me marcarão, como no dia que um garoto de uns 10 anos atravessou o rio Pardo a nado para verificar, em vão, se o que se debatia do outro lado da margem era realmente um grande peixe enroscado em uma rede, ou o garoto que sentiu pela primeira vez na vida um trauma e uma bela história de superação, conseqüência de um infeliz e embriagado motorista que o atropelou na calçada. Marcas físicas que ele carrega até hoje, conseqüência de uma fratura exposta na perna e várias cirurgias, em tenra idade o menino amadurecia, o que lhe ajudou na sua ascensão precoce dentro da sua profissão.

Na escola sua mãe e a minha, não deixava estudarmos na mesma classe. Isto não nos afastou, muito pelo contrario, fez com que aumentássemos nossos relacionamentos e nos desse a oportunidade de conhecermos mais gente bacana, como a Flávia Pizani e a Renata Morgan, duas mulheres maravilhosas, gente finíssima, que conheci através do Jeffinho e posteriormente seriamos companheiras de classe, quando o Jeffinho já estava, aos 17 anos, estudando em Águas de São Pedro para ser o grande chef de cozinha que é hoje. Formou-se o chef de cozinha mais novo do Brasil na época.

 

Acompanhei de perto toda a maturação e crescimento dele como chef de cozinha, desde os tempos que estudava, passando pelos primeiros estágios e empregos em São Paulo, quando morava ainda na Rua Tabapuã,  Para se ter uma idéia, eu e o João Modesto fomos buscá-lo no aeroporto na voltava de sua primeira grande consultoria em Natal, eu quem fui levá-lo  a Angra do Reis para sua segunda consultoria, do qual temos lembranças muito ruins, mas não cabe comentar aqui, pois engorda.

A partir daí, foi muita ralação e trabalho até chegar ao nível que se encontra hoje. Quando voltei de Manaus, foi ele quem me ajudou, deixando morar em sua casa e me arrumando emprego, primeiramente no Charles Eduard e posteriormente com ele no Pomodori. Lá aprendi muitas coisas sobre alta gastronomia e principalmente minha paixão por vinhos, principalmente os italianos.

Fui seu padrinho de casamento com a Jana, vulgo dona onça, mas o Jeffinho precisa de uma mulher brava, senão ele desanda. Amo ele de paixão, sou seu fã e admirador, já tive o prazer de degustar algumas de suas obras de arte gastronômicas, você sente a assinatura dele em seus pratos, é algo impar e inigualável. Fico triste que estamos longe e pouco nos falamos, da ultima vez que tive em sua casa, no ano passado, conheci seu filho mais velho, matei a saudade da Jana, do Zé Rueda e da Carminha, mas não o vi, o que me deixou muito triste. Acompanho sua carreira pela imprensa.

Hoje ele está em outro patamar, o cara viaja para Europa, mas futuramente quero contar nossas viagens de aventuras para Piçarras, São Tomé das Letras, Serra da Canastra, quero escrever sobre os tempos que me dá saudade e que mostrar um Jeffinho que poucos conhecem.

 Jeffinho é sem dúvidas um dos melhores chef de cozinha do Brasil, respeitado pelo seus colegas de profissão, pela imprensa especializada e principalmente, pelo seu seleto grupo de clientes.



Escrito por netoguido às 16h57
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História que vivi,pessoas que amo!

Tive grandes amigos, no verdadeiro sentido da palavra, por todas as fases da minha vida, em todos os lugares em que passei. Mas um em específico foi tão marcante e tenho tanto amor e carinho que se acreditasse em outras vidas, ele teria sido meu irmão, ou minha mãe, ou minha amante, sei lá.

O vi pela primeira vez, quando tinha em torno de uns 14 anos, por incrível que pareça, num retiro espiritual promovido pela igreja católica de São José do Rio Pardo, é gente, pasmem, eu já fui católico apostólico romano, mas todo mundo tem direito a evoluir, graças a Deus!

Ele era de outra paróquia e estava sempre junto de mais dois amigos, o Cesar Giavarotti  e o João Henrique Guerra, ali já percebi que aquele rapaz era diferente, era muito gozado e muito alegre. Aquele retiro era uma segunda chance que estava tendo, era como ser fosse uma ovelha desgarrada, pois no retiro anterior, eu, o Macarrão e mais alguns fugimos no ultimo dia para assistirmos a uma corrida de MotoCross a uns 4 KM de onde estávamos, mas fomos pegos na saída pelo então seminarista Daniel e fomos proibidos, quase excomungados, de todos os eventos da igreja voltado aos adolescentes e jovens.

Mas como a Dona Zezé, minha digníssima mãe, sempre foi voluntária para cozinhar em todos os eventos dos servidores do papa, ganhei uma segunda chance e foi uma oportunidade única, conhecer este rapaz que me marcaria para sempre. E detalhe nunca mais foi a nenhum retiro, mas desta vez por vontade própria.

No ano seguinte ele foi estudar no meu colégio, pois só o EEPSG “ Euclides da Cunha” tinha segundo grau na época. Ai foi fatal, logo de cara me aproximei dele, afinal, o cara ia descalço ao colégio e ainda tinha lambido a mão da patricinha mor, era como um ídolo. Anos mais tarde me confessou que não gostou muito da minha pessoa, me achou chato, mas fui conquistando sua confiança e simpatia. A partir daquele momento nos unimos muito para sempre.

O nome dele é Antonio Alberto Brunetta, para alguns, Professor Brunetta e para outros, Berto. Uma figura impar. Cresci toda minha adolescência junto a ele, mais uma penca de meninos levados e malucos, mas nós sempre fomos muito próximos e essa amizade se estendeu a nossas famílias, a ponto que quando tirei carta de motorista, minha mãe dava o carro para ele, um ano mais novo que eu e sem habilitação. Principalmente em nossas aventuras em Mococa.

Quando fiz 19 anos, Berto, muito mais inteligente e capaz do que eu, já estava em Araraquara fazendo faculdade de sociologia, numa briga que tive com minha mãe, arrumei minhas malas, peguei todo meu dinheiro da rescisão do meu emprego e fui embora morar com o Berto em Araraquara.

 O Zé Rueda, que também sempre foi muito bom comigo, conseguiu um emprego na Nestlé de Araraquara e com isso consegui me sustentar. Era uma fase muito difícil, pois não era funcionário da Nestlé e sim de uma empresa terceirizada, ganhava pouco e trabalhava na produção, mas foi uma experiência importantíssima para meu aprendizado e crescimento como homem.

Quando cheguei a Araraquara, o Berto ainda morava numa edícula de fundos de uma açougue de três pequenos cômodos, o famoso “barraco”. Difícil não era a falta de espaço e sim o ligar e desligar dos freezers antigos do açougue, que horror, tremia todas a paredes do barraco e fazia um barulho estrondoso, o dia todo e a noite toda.

Mudamos-nos logo com mais duas figuras para o centro, numa casa antiga, com muito mais espaço e salubridade. Flavia e Beto Cabelo, duas pessoas especiais e muito gente boa. Lá, durante o quase 12 meses que fiquei, foi muito bom, divertido e trabalhoso também. O Berto tem mania de limpeza e nossa casa era mais limpa que banheiro de Shopping, o problema é que o Berto, que para ganhar uma grana extra, pois o dinheiro que a família dele mandava era para pagar o aluguel, comer e mais nada, fazia faxina na casa de outros estudantes. Mas em casa, ele botava a gente para ralar, nossa como limpava a casa

.

O Berto tinha um Puma vinho, que ele havia comprado do André Teixeira, esse Puma tem várias histórias curiosas, desde a época que morávamos em Rio Pardo ainda, mas tem uma que foi realmente surpreendente e perigosa.

O Berto tinha uma conta, se não me engano no finado Bamerindus, e não me lembro, ele havia dado 01 ou 02 cheques sem fundo, ele economizou uma grana, e conseguiu compensar os cheques e tirar o nome do Serasa. Ele voltou para casa radiante, como todo bom moço fica, quando consegue solucionar seus problemas financeiros.

Ao chegar em casa, numa sexta-feira, contando que havia conseguido zerar suas pendências, foi categórico e com uma voz abafada disse:

- Vamos gastaaaaá, vamo viajaaa!

Como ele falou para dois cidadãos do mal, o que não faltou foi uma resposta simples e seca

- vamos!

- Então vamos para onde? Parati, Ilha Bella ou Praia Grande!

- Nada, vamos para Águas de São Pedro ver o Jeffinho! (Jefferson Rueda é o filho do Zé Rueda, outro grande amigo de infância que contarei outras peripécias deste caboclo).

- Só se for agora!

Em 5 minutos estávamos com tudo pronto, entrando em três no Puma (detalhe para quem não conhece, um carro desenvolvido para apenas 2 pessoas, o motorista e um carona) e fomos a caminho de Águas.

Araraquara a Águas de São Pedro são mais ou menos umas 2h de viajem, entrando para Itirapina e descendo a Serra sentido São Pedro, é um grande reduto de cachoeiras, mirantes e muita beleza natural, mas antes de chegar a cidade de São Pedro, existe uma serra muito íngreme e perigosa. No meio da serra, na descida mais inclinada e ameaçadora, resolvemos parar para tiras lindas fotos e apreciar de uma forma mais sensível as belas paisagens que nos presenteava. Estava um final de tarde onde a luz parece ser dourada, e o vermelho ainda mais vermelho.

Esta estrada vicinal e serrana não tem acostamento, então bem no meio da descida havia uma pequena porteira que acomodou o Puma perfeitamente para nosso deslumbre e encantamento com o local.

Depois de nos contemplarmos, entramos no Puma para darmos continuidade a viajem que faltava muito pouco para chegarmos ao nosso destino.

Para variar o puma não pegou na ignição, então o Berto soltou o carro, mas como o cidadão não esterçou a direção, o carro ficou atravessado totalmente na pequena pista e não descia.

Na terceira tentativa de dar a partida, ainda no meio da pista, quando ouvimos uma grande buzina e no inicio do topo da montanha vem descendo uma grande caminhão de cana, isso mesmo, este que cansamos de ver nas estradas do estado de São Paulo.

Ai, foi aquela paranóia e desespero, o Berto fazendo todo tipo de promessas, para o carro pegar, eu procurando a maçaneta e olhando para que lado correr e a coitada que estava conosco presa entre dois grandes homens, desesperada e não sabendo o que fazer, se chorava ou se rezava, foi quando de repente, quando a caminhão estava a pouquíssimos metros de nós, onde o cheiro de borracha queimada já impreguinava nossas narinas e já começávamos ver o mundo de outra forma, quando escutamos aquele barulho tão desejado e especifico do motor de Brasília que equipava o tão valente Puma.

Num momento de rapidez, o Berto engatou primeira e conseguimos sair a tempo, vi minha vida ser abreviada naquele momento. Mas conseguimos graças ao bom e velho Puma. Caretamos na hora!

Eu passei por várias cidades, e hoje sou um homem casado e fora de moda em Catanduva, o Berto, depois de várias turbulências na sua vida está morando no interior do Paraná, a Menina que estava conosco, acredito que ainda esteja em Araraquara dando aulas e o puma pegou fogo anos mais tarde na mão do Bagunça numa viajem entre Rio Pardo e Casa Branca. Realmente aquele dia não era o nosso, nem do puminha. Mas que foi o dia que vi a viola em cacos, isto não tenha dúvida.

 



Escrito por netoguido às 18h09
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Amor de Pai.

Há mais ou menos há uns 10 anos, tive uma conversa meio franca com meu pai, sentado a beira do rio Piracicaba, comendo uma bela piapara na brasa, tradicionalíssima na cidade que leva o mesmo nome do rio e do qual tive o prazer de residir por quatro bons anos da minha vida.

Era uma conversa um pouco complicada, devido ao teor da mesma, estava fazendo um belo almoço na república Cassino Albergue, que agora não me recordo o endereço, mas ficava próximo ao teatro municipal e meus contemporâneos de faculdade vão se lembrar com certeza. Quando meu pai bati a porta. Ele foi lá para me comunicar pessoalmente que ele estava se separando da minha mãe. Abandonei o almoço e a ponta e fomos ter esta conversa na famosa Rua do Porto.

Em nossa conversa, acredito que nunca fui tão adulto e compreensivo, comecei a relatar o por que da atitude dele em vir até Piracicaba para me falar algo que eu já sabia, e por qual motivo ele se preocupava tanto comigo, por que ele ainda me sustentava, um rapaz forte, inteligente, saudável, já passados do 22 anos e a reposta dele me surpreendeu.

Com lagrimas nos olhos ele me disse que por mais que tentasse verbalizar o que sentia por mim, por mais que tentasse explicar o que motivaram andar mais de 200 kilometros para me dizer pessoalmente aquela trágica noticia familiar, ele não conseguiria. Mesmo assim insisti, precisava de uma resposta que coubesse dentro daquela cabecinha tão pragmática e racional, tinha que haver uma explicação plausível e até cientifica para aquilo. Ai já com as lágrimas correndo pelo rosto,  ele me disse que não conseguiria, que somente quando eu fosse pai, eu teria dimensão do que ele estava tentando, com seus meios rudes e tímidos, me explicar.

Hoje, com a graça de Deus, pai de duas meninas lindas, saudáveis e muito espertas, olho para elas, com seus detalhes e jeitos, entendo o que meu pai me disse naquele dia. Cada olhar meigo, cada palavra do “te amo muito papai Guido”, cada sorriso que se lastram pela face, da boca, passando pelos olhos, cada cabelo enrolado, cada fio loiro esparramado pela sua frágil e angelical franja, me faz lembrar as lagrimas do meu pai, tentando somente falar que me amava como um pai digno e honrado.

Agora sei, pai, pode ficar tranqüilo, pois entendo cada palavra não proferida, cada gesto e cada sentimento não dito.



Escrito por netoguido às 14h42
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Milena Débora

Fui rever alguns textos antigos para colocar neste blog e sofro do mal que não gosto de nada que eu escrevi.

 Então resolvi escolher este poeminha bobo, como todo texto apaixonado é,  em homenagem a minha esposa, para lembra-la o tanto que eu a amo.

Bom é gostar, bom é saudade.

Angustia da falta de algo bom,

De um sorriso, de um carinho.

Como é bom gostar,

Tragar para dentro de si,

Vida, amor e esperança.

E quando você se aproximou

Este velho coração se estremeceu,

Coisas mal resolvidas, planos desfeitos,

Distância, angustia e tempo

São coadjuvantes para o que estar por vir

Novas fragrâncias, novo sentido,

Como é bom gostar novamente.

Bom mesmo, é gostar de você

Milena Débora.

 



Escrito por netoguido às 14h20
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